sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

21. A EDUCAÇÃO DO BOM HUMOR

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.


21. A EDUCAÇÃO DO BOM HUMOR

A fim de que as energias da criança não corram o risco de fraquejar, uma educação forte deve ser ao mesmo tempo uma educação alegre.

• Para transformar a vida em algo de belo, é preciso, com a graça de Deus:

1. Ser uma consciência.
2. Ser um caráter.

3. Possuir uma boa dose de otimismo que permitirá, em qualquer circunstância, encarar homens e coisas pelo seu lado bom.

• O otimismo, e bom-humor, o caráter alegre são expressões semelhantes — ressalvados certos matizes — de uma realidade preciosa que permite afrontar a vida com o máximo de possibilidades de êxito para si próprio, e de felicidade para os outros.

• Uma atitude positiva em face de uma situação difícil permite conservar a lucidez e o sangue frio necessários para encontrar as soluções mais vantajosas. A atitude negativa só pode aumentar os riscos do fracasso e do aniquilamento. 

• Desde os primeiros anos, é preciso habituar a criança a ter um sorriso para tudo: para os pais, sem dúvida, para os amigos, para as visitas; mas também para a vida com as suas contrariedades, suas dificuldades, seus obstáculos.

• Não é cerrando os punhos e batendo numa rocha que obstrui o caminho que conseguiremos afastá-la. Usamos inutilmente os nervos e os músculos. Olhar o obstáculo com um sorriso far-nos-á descobrir mais facilmente o meio de contorná-lo.

• Desânimo é uma palavra que deveria ser banida para sempre do vocabulário de um cristão ou de uma cristã dignos desse nome. E por isso é preciso que a própria ideia dessa palavra nem sequer aflore ao espírito.

• O clima da família — e, é preciso acrescentar, do próprio quadro em que a criança evolui — contribui poderosamente para orientar uma alma em busca de uma atitude positiva ou negativa. Onde os pais não fazem outra coisa senão gemer, criticar, queixar-se de tudo e de todos, onde o sol nunca penetra, onde tanto as paredes como os dias são cinzentos, como espantar-se de que a criança só encare a vida sob o seu aspecto mais sombrio, e que mais tarde, mesmo nos dias felizes em que a alegria se imponha, ela se recuse a desfrutá-la e a extrair-lhe novas energias sob o pretexto de “isto não dura”?

• Por que falar às crianças com um rosto severo? Não conseguiremos mais com a própria firmeza quando se torna amável e sorridente?

• A maioria dos pais desconhece as riquezas que perdem para si mesmos e para as crianças, não lhes sorrindo. O sorriso suaviza, acalma, pacifica, encoraja, estimula, tonifica. É como um raio de sol “sem o qual as coisas não seriam o que são”. E, depois, é tão fácil quando se compreende a sua importância, mesmo que custe um pouco! Os resultados são tão grandes! Que pena privarmo-nos desse bem!

• Uma criança que não sorri, uma criança que não canta, é uma criança votada à infelicidade e à doença. 

• Para dar um caráter feliz a uma criança, nada melhor, em primeiro lugar, do que a atitude alegre e sorridente dos pais que se esforçam para mostrar-lhe o lado bom das coisas e dos acontecimentos, mesmo dos mais aborrecidos, sem esquecer a qualidade das pessoas com as quais se tem de lidar. Exemplo: mamãe projetou um passeio, mas chove... ou então sair apesar disso, mostrando com o sorriso que não se tem medo da chuva e que se traz o sol em si mesmo; ou ainda, se chove de tal maneira que não se possa razoavelmente sair, alegrar-se pela improvisação de uma tarde de divertimento dentro de casa.

Quando os pais têm o dom de fazer com que os filhos reajam alegremente diante do imprevisto, vençam as contrariedades sem dar mostras disso, aproveitam sem pensamento oculto as menores ocasiões de felicidade — o ambiente familiar está sempre iluminado.[1]

Nunca é demais insistir: ser feliz é um dever para com os outros. Diz-se muito bem que só é amado quem é feliz; mas todos esquecem que essa recompensa é justa e merecida, porque a infelicidade, o tédio e o desespero estão no ar que respiramos; assim, devemos o reconhecimento e a coroa de atleta aos que digerem os miasmas e purificam de qualquer forma a vida em comum pelo exemplo enérgico.[2]

• Não temamos confiar aos nossos filhos as nossas admirações e os nossos entusiasmos. Há tantas coisas belas no mundo, na obra dos homens como na obra de Deus, que decerto é uma pena não fazer delas um trampolim para subir até Ele, que é a suprema Casa da Alegria.

• Os pais verdadeiramente educadores devem renunciar à cultura mórbida do descontentamento que envenena a atmosfera familiar, que leva à misantropia e ao desânimo, e cria nos jovens quer uma impressão de asfixia, quer o medo de viver.

• Cumpre não oferecer às crianças uma imagem demasiado sombria de si mesmas. Por muito insistir sobre o que as separa da perfeição, só fazemos aumentar os obstáculos diante delas. A maior parte dos educadores continua a exigir quase tudo da vontade das crianças, não se preocupando em facilitar-lhes o esforço ao agir sobre a sua imaginação.

Quando se diz a uma criança: “És mau, torna-te bom”, a proposição “És mau” começa a incrustar no pensamento do interessado a convicção da sua maldade congênita, absoluta, incurável; diante do que o “Torna-te bom” reduz-se antecipadamente à impotência.

• A felicidade é antes de tudo um modo de ver as coisas e uma arte de adaptar-se a elas. Sendo Deus a Felicidade suprema, ver as coisas como são vistas por Deus, é adaptar-se a elas à maneira de Deus.

• Contemos aos nossos filhos os apólogos das duas rãs, da rosa ou da garrafa quebrada:

Duas rãs iam pelo campo quando caem num pote de leite. A primeira desesperada, renuncia à luta e coaxando: “Socorro! Afogo-me!”, morre asfixiada. A segunda luta com a energia do desespero, bate tanto com as pernas... que transforma o leite em manteiga e consegue sobrenadar.

Diante de uma rosa, há duas atitudes possíveis: a do pessimista que se desola de que as rosas tenham espinhos e a do otimista que se alegra de que em espinhos possam nascer rosas.

Diante de uma garrafa quebrada há dois gritos possíveis: "Que desgraça, esvaziou-se pela metade!” — "Que sorte, ainda resta a metade!”

• Eis o que escreve uma excelente educadora:
"O único meio de praticar a educação cristã da alegria nas crianças é praticá-la antes em nós mesmos.
Sem dúvida, a alegria nos é dada com a vida e, sobretudo, com a graça. Toda alma em estado de graça, por ter caridade, é uma alma em estado de alegria. Mas a alegria, também, deve ser conquistada: saibamos, pois, conquistar nossa alegria e a das crianças, saibamos sorrir aos nossos filhos para lhes ensinar a sorrir. Não sei se já praticastes o jogo do sorriso; é um jogo divertido e educativo que consiste cm abrir um amplo sorriso à criança que fez uma grande tolice e com a qual nos zangamos. A vontade é de encará-la com olhos sérios e passar-lhe um sermão; em lugar disso, lhe sorrimos: o efeito é irresistível.
Pela manhã — escreve-me uma velha institutriz — sentando-me junto à mesa do escritório, esfrego as mãos de contente e digo às crianças: “Que felicidade! Vamos trabalhar muito!”
Todos os sistemas de pedagogia são miseráveis diante dessa frase... Há escolas em que se dá com razão aos alunos o prêmio do bom-humor: talvez houvesse mais alegria em nossas classes se todas as mestras pudessem ter o primeiro prêmio de sorriso...

Acontece às vezes que um violino começa a soar quando fazemos vibrar as cordas de outro instrumento na mesma sala; igualmente, se soubermos fazer vibrar cada corda do Espírito Santo, nossos filhos vibrarão em uníssono e cada um deles, cantando a seu modo a Glória de Deus, fará que o dia seja um longo cântico de alegria.[3]

• Para criar ura clima favorável à educação nada melhor do que a participação ativa dos pais na vida alegre dos filhos. Por que não encorajar-lhes a iniciativa na escolha dos divertimentos e das distrações, sobretudo na preparação das festinhas familiares, animá-los quando dos êxitos obtidos, exames bem feitos, voltas de viagens?

• Nas refeições, papai e mamãe devem dar trégua aos cuidados e animar alegremente a conversa. De um modo geral, as crianças aprendem com os pais a arte de levar pelo lado mais divertido as pequenas contrariedades da existência.

• As crianças têm necessidade de calma: a agitação e o nervosismo agem sobre elas como o vento sobre as dunas. Onde há furacão os arbustos não crescem.

• Há na vida muito aborrecimento e dificuldades, nada porém é mais funesto para o equilíbrio harmonioso da criança do que exibi-los a todo instante. Arriscamo-nos a criar ideias fixas que não deixam de ser perigosas.

• Como as plantas, a criança precisa de sol.

• A educação triste corta as asas, a educação alegre duplica o impulso de voar.

• O que é preciso a todo preço é impedir que no espírito das crianças a família seja um lugar fastidioso, monótono e penoso, “lugar onde nos aborrecemos”. 





[1]  ANDRÉ BERGE, op. cit., pág. 35.
[2] ALLAIN, citado por BERGE, em Éducation Familiale, pág. 37.
[3] FRANÇOIS DERRENNE, op. cit.
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