domingo, 11 de setembro de 2016

17. A ARTE DE ENCORAJAR E DE RECOMPENSAR

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.


As crianças precisam mais de encorajamento do que de punições
(FÉNELON).

• Acreditar na realidade das boas disposições é criá-las e aumentá-las.
• A idéia do julgamento ou da opinião que fazemos da criança desempenha um papel importante na confecção dessa tela psicológica sobre a qual os seus atos e pensamentos bordarão dia a dia um pouco de sua vida.
• Quem quer que se persuada da incapacidade de fazer uma coisa, dela se torna realmente incapaz.
• Não é mau que a criança confie em si própria. Em definitivo, é melhor um pequeno excesso do que falta de autoconfiança. O “posso mais” é um estimulante mais forte do que o “não sirvo para nada” ou o “nunca conseguirei coisa alguma”. 
• Nada desestimula mais do que a indiferença: “Afinal de contas, não fizeste mais do que o teu dever; se não te digo nada, é que está bem.” A criança precisa de algo mais; é feliz quando se sente olhada e aprovada pelos que estima e ama!
• A confiança facilita a ação; a desconfiança suscita o desejo de agir mal.
• Não tenhamos medo de mostrar às crianças nossa confiança em suas possibilidades, o que será mesmo, por vezes, o melhor meio de despertar-lhes certas qualidades ainda adormecidas. Lembremo-nos das observações de Goethe, que vale tanto para as crianças como para os adultos: “Olhar os homens como eles são é torná-los piores; tratá-los como se fossem o que deveriam ser, é conduzi-los aonde devem ser conduzidos.”

• Nos elogios como nas reprimendas, nas recompensas como nas punições, é preciso ter medida, lógica e justiça. Medida, porque o excesso acaba por desconcertar e mesmo por fazer duvidar do julgamento de quem detém a autoridade. Lógica, porque nada significa felicitar hoje por uma ação que ontem mereceu uma crítica. Justiça, porque uma recompensa imerecida perde o interesse e a força.
• É preciso encorajar a criança mais pelo esforço praticado do que pelo resultado obtido. O objetivo é fazer com que a aprovação dos pais tenha mais importância do que um torrão de açúcar ou do que um doce.
• Há casos em que é lícito servir-se do amor-próprio, como por exemplo: “Procura fazer Este esforço, é difícil mas creio que podes consegui-lo.”
• É preciso evitar as lisonjas que levem a criança a se comparar vantajosamente às outras. O melhor é fazer com que verifique os progressos realizados sobre si mesma, dando-lhe a perceber que pode fazer melhor ainda.    A criança é essencialmente sugestionável. Dizermos sem cessar que ela é desajeitada, egoísta, mentirosa, etc..., é conduzi-la a um atoleiro de onde não mais poderá sair.
•    Quão mais sadia é a sugestão inversa que consiste em repetir com obstinação a uma criança com tal ou qual defeito, que ela pode apresentar algumas manifestações de fraqueza mas que, precisamente, está em vias de curar-se.
 esse projeto comporta, para seu êxito, um segredo a guardar, como por exemplo os preparativos para o aniversário de mamãe.
• A criança toma gosto pelo esforço que lhe vale a nossa aprovação. Há impulsos que são mais simples desejos de impulso, e não ultrapassariam essa fase caso fossem apoiados pelos circunstantes. Uma aquiescência oportuna imprime coragem e confiança nos que ainda têm passos hesitantes. Nada encorajará mais uma criança do que dizer-lhe, ao ouvi-la exprimir um pensamento justo: “Sim, tens razão”, e de lembrar habilmente na oportunidade: “Como acabas de dizer”, ou “Como há pouco dizias”.
• Fazer com que uma criança verifique os seus progressos é encorajá-la a progredir neles.
• Se a criança fracassa, nada de rigor desde que houve de sua parte um esforço leal.
• Cumpre evitar fazer elogios sem reserva às crianças. A discrição é quase sempre necessária. É claro que testemunhamos nossa estima: “Sempre acreditei que eras capaz disso e de mais ainda.” Estimulemos mas não tratemos a criança como se ela fosse uma perfeição confirmada em graça. A criança, a quem exprimimos sem cautela e sem medida todo o bem que dela pensamos, corre o risco de tornar-se imediatamente gabola ou um pavãozinho enfatuado dos seus próprios méritos. 

   O estímulo a uma criança poderá às vezes traduzir-se numa recompensa material: doces, brinquedos, algumas moedas. Mas não abusemos: há nisso uma solução de facilidade. Um dos perigos desse método é o de taxar e comercializar os esforços de ordem moral que, essencialmente, devem encontrar solução na aprovação afetiva dos circunstantes, e satisfação na própria consciência. Além disso, há ainda outro perigo: à medida que a criança crescer, é preciso recorrer a recompensas cada vez maiores. Não é comum ver pais que imprudentemente prometem uma bicicleta ou um manto de peles com risco de comprometerem o orçamento familiar?

• Pode suceder às vezes que os resultados não tenham estado à altura da boa vontade e dos esforços sinceros da criança. Evitemos acabrunhá-las e até mesmo, para que não fique sob uma impressão deprimente de fracasso, procuremos pôr em relevo a qualidade demonstrada.

• Anita (4 anos) e Bernardo (5 anos e meio) voltam de um passeio. Os chinelos da irmãzinha ficaram no quarto do primeiro andar. Bernardo se oferece gentilmente para ir buscá-los. Sobe correndo a escada e volta triunfante, trazendo um par de chinelos que, infelizmente, não são os de Anita. Em vez de ralhar com Bernardo, de dizer-lhe: “Que boboca, bem que podias prestar mais atenção, estás sempre fazendo tolices!”, é preferível dizer: “Foste muito gentil querendo trazer os chinelos de tua irmãzinha! O par que trouxeste é mesmo tão parecido com o dela que dá para fazer confusão; portanto, vais ter novamente a gentileza de... ” A criança compreenderá depressa e subirá de novo a escada com alegria, duplicando assim o valor do seu gesto fraternal.
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