segunda-feira, 30 de maio de 2016

10. DAR O EXEMPLO

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

10. DAR O EXEMPLO

Quereis obter alguma coisa dos vossos filhos... começai por dar o exemplo. O exemplo pode muitas vezes substituir tudo, mas é insubstituível.
• Conselho sem exemplo, discurso sem alcance. O exemplo é quase sempre o mais eficaz dos conselhos.
• O exemplo serve, a um templo, de modelo e apoio. De modelo, porque o conhecimento das virtudes pelas crianças é a princípio imitação: é por imitação que a criança aprende a falar e a agir. De apoio, porque dele a criança precisa: o que se lhe ordena ou pede, sobretudo quando se trata de algo novo, é difícil para ela. Cumpre que ela se domine, vença as suas repugnâncias. Para ter coragem é preciso encontrar estímulo. A melhor ajuda é o exemplo dos que a cercam.
• Nada como o exemplo para animar a criança, mostrando-lhe por evidência palpável que o que se lhe pede para fazer é realmente possível.

• Nada melhor para encorajar uma criança ao “mergulho” do que mergulhar com ela.
• Sede o que quereis que os vossos filhos sejam. Eles seguirão mais vossos atos do que vossas palavras ou conselhos. 
• É preciso conduzir-se em presença da criança como se ela fosse adulta e compreendesse tudo. A criança não larga os olhos dos pais. Observa-os permanentemente com atenção tanto mais intensa quanto mais jovem for. Não lhe escapam nenhuma das vossas palavras e nenhum dos vossos gestos: tudo se registra no seu cerebrozinho como sons num disco de fonógrafo... Isto, inclusive, quando está absorvida por preocupações de outra ordem. Notai que ela não dá, necessariamente, parte à família do que ouviu, mas lá um dia, às vezes muito tempo depois, fará uma reflexão que demonstrará haver entendido tudo muito bem.
Ora, as pessoas que uma criança vê e ouve constantemente são o pai e a mãe, Seres humanos que mais contam no mundo para ela, que julga infalíveis em seus julgamentos, perfeitos na conduta. A criança molda os seus próprios pensamentos e a sua conduta pessoal, tudo, enfim, até as suas atitudes e inflexões vocais, nos do pai e da mãe. Nem nas grandes coisas nem nos pequenos detalhes, a criança deve ser levada a pensar: ‘‘Meus pais não fazem o que me mandam fazer”.
A vida do pai e da mãe deve ser para ela um modelo sem jaça do que deve ser a sua própria vida.
• O olhar da criança tem mais habilidade do que se pensa para apreender as contradições entre a vida e os conselhos dados. Pelo que fazemos ela julga a importância do que dizemos.
• A criança é um lógico simplista e sem matizes. “Se o que exigem de mim é correto, vale também para os meus pais; se não tem utilidade, por que me é imposto?” Sem dúvida, pode-se discutir esse raciocínio; mas não se pode impedir a sua formulação; e quando vem a propósito de coisas nas quais há realmente negligência dos pais, todas as explicações que se deem não mudarão a lógica da criança e não lhe darão o troco: por exemplo, princípios fundamentais, dizer a verdade, praticar a religião, ter uma boa atitude, etc. 
• Conheço infelizmente muitos pais que, diante dos filhos, usam termos que a mãe deveria proibir-lhos. Isto pode levar, por parte das crianças, a observações impertinentes, mas de qualquer modo justificáveis, e ninguém tem o direito de surpreender-se do que elas transgridam a proibição em causa.[1]
• O exemplo é que é o grande mestre da educação — autoridade tanto mais forte quanto sem brilho, influência tanto mais poderosa quanto se insinua sem rumor.
• As palavras passam, os exemplos ficam, diz o provérbio. Sim, mas se vos recusais a vos deixar levar por eles, voltarão para vós e vos perseguirão com insistência. Tal é a força que se liga à sua lembrança.
• Para formar uma consciência, é preciso deixar ver a própria retidão e a própria lealdade; para formar um coração, é preciso mostrar o seu, dedicado e compassivo; para formar uma alma, é preciso mostrar a sua, fiel à oração. Assim, para tudo: para o gosto do trabalho, da ordem, da caridade. O filósofo De Bonaldi observa com justeza: “As crianças julgam os pais numa idade em que apenas deviam amá-los; tornam-se severas antes da razão lhes ter ensinado a ser indulgentes.” As crianças são nossas testemunhas, não façamos delas nossos juízes. Essa preocupação nos obriga a que nos contenhamos: é, na realidade, a educação dos pais pelos filhos. Quantos atos heroicos cumpridos pelos pais que se preocupam em não comprometer a educação dos filhos poderiam inspirar, nesse ponto, qualquer educador![2]
• A educação não consiste em fazer discursos aos nossos filhos, bem tranquilos, com a cabeça descansada (às vezes são necessários, mas se a eles nos limitássemos, como seria insuficiente!). Educação dos nossos filhos? Mas ela será toda a nossa atitude cotidiana em face da alimentação, do vestir, do trabalho e do repouso, em face do sofrimento dos outros e dos acontecimentos etc. Atitude essa que os nossos filhos observam dia a dia, que os impregna, que os edifica. É vivendo retamente, corajosamente, generosamente, que conduziremos nossos filhos à vida reta, forte e dedicada.
A educação “representada” é uma caricatura de educação. Só se educa sendo. No primeiro caso, a criança, ao se tornar adulta, pode furtar-se orgulhosamente ao que aprendeu: não pode, entretanto, furtar-se à influência de uma vida reta.[3]


[1] J. Lamers-Hoogveld, L’Enfant, notre Espérance (pelo Dr. C. Meuleman e J. Lamers-Hoogveld), pág. 167 (Ed. Ch. Dessart, Bruxelas).
[2] Henri Pradel, op. cit., pág. 15.
[3] Jeanne Le Gros, “Comment faire, des difficultés actualles, des moyen d’éducation", na revista Enfance et Jeunesse (Junho de 1944).
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