sexta-feira, 31 de maio de 2013

Especial: Conselhos sobre vocação (para meninos de 12 a 18 anos)

Nota do blogue: Iniciarei hoje a transcrição de um ótimo livro de formação vocacional para meninos de 12 a 18 anos escrito pelo Padre J. Guibert (Superior do Seminário do Instituto Católico de Paris), edição de 1937, CONSELHOS SOBRE A VOCAÇÃO, assunto raro e muito necessário nos tempos atuais. Também tenho a intenção de reeditar esse livro futuramente, mas como isso não depende apenas da boa intenção mas também de outros fatores, colocarei essa intenção no Imaculado Coração de Nossa Senhora e que apareçam colaboradores que nos ajudem financeiramente nessa missão, ou seja, formar soldados para Cristo Rei.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

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Þ Parte 2
Þ Parte 3
PREÂMBULO

Esta brochura é destinada aos jovens de doze para dezoito anos, nos quais se notam aspirações ou qualidades para a vida religiosa. Os meninos, raras vezes, são capazes de reparar os movimentos que a graça opera em seus corações. Quer por leviandade de espírito, quer por falta de instrução, têm apenas idéias confusas a respeito do que se passa em sua alma. Incapazes de explicar o que sentem, dominados às vezes por grande acanhamento, conservam, sepul­tados no fundo do coração, sinceros desejos de vida religiosa. Quantas vocações perdem-se desta maneira. Nas páginas seguintes, os jovens hão de encontrar as noções e os conselhos necessários para esclarecer sua consciência e guiar-se no ponto de vista da vocação. Pareceu que era melhor tratar da vocação em geral. Porque a grande questão a resolver para um menino, é saber onde é que vai tomar uma carreira para servir a Deus: no mundo ou na Igreja. Uma vez decidido este ponto, é sempre fácil descobrir o caminho particular que lhe convém.

INTRODUÇÃO
MENSAGEIRO CELESTE

1. — Tomai este livro, jovem amigo, e lede-o como se fosse uma carta que o céu vos enviasse. Espero que encontrareis nele uma resposta às sérias perguntas de vosso coração. Sem dúvida já notastes a mudança repentina que se operou em vós e ao redor de vós, depois da Primeira Comunhão.

Até então a vida nada vos custara. Suavemente embalado nos braços dos pais, alimentado pelos tenros cuidados deles, até hoje vivestes sem receio, incons­ciente do futuro.

De repente, quando chegastes aos doze anos, ou um pouco depois da Primeira Comunhão, no meio mesmo dos carinhos que todos vos prodigalizavam, uma voz se fez ouvir: «Que será deste menino?» E como todos sentissem perfeitamente que não era possível dispor de vós sem vosso consentimento, alguém vos perguntou: «Agora, meu filho, que é que Sr. deseja ser?»

Desde aquele momento, não sois mais o mesmo menino de outrora. Pensamentos de homem maduro entraram-vos na alma. Estais vendo que a vida não é mera brincadeira, que seria um crime dissipá-la inutilmente, e é preciso aproveitá-la para ganhar o pão e muito mais ainda para ganhar o céu. Por isso estais ansioso e procurais resolver este problema de importância capital: «Que uso farei de minha vida?» É principalmente nas horas tranqüilas, quando tudo está calado em vossa alma, por exemplo, de noite, antes de adormecer ou durante o recolhimento dos ofícios religiosos, que a pergunta se faz mais instante. Então uma voz interior e profunda responde: «A vida é curta; os anos voam mais rápidos que a seta quando atravessa o ar. Ponha depressa sua vida em um quadro definitivo; entre sem demora no caminho que será preciso seguir. Não perca, em estéril hesitação, nem a menor parcela da vida.»

Mas como tomar depressa uma resolução definitiva numa questão tão grave? Entre mil carreiras que se oferecem, qual escolher? Com efeito, os quadros mais variados vos encheram talvez a imaginação e solicitaram a ambição.

2. — Um dia pensais em ser um hábil operário na oficina do pai; outra vez agrada-vos a sorte de um negociante feliz ou de um industrial cheio de habilidades; muitas vezes as dragonas de ouro dos oficiais inflamaram os vossos desejos; mas muitas vezes também, tivestes a idéia de consumir as forças na abnegação do sacerdócio ou da vida religiosa, a fim de aliviar a miséria humana e salvar almas. Por isso, vosso pobre coração fica incerto e vai de um projeto para outro, sem fixar-se em nenhum.

Entretanto, no meio de todos estes quadros, há um que, mais do que os outros, possui o poder de atrair-vos e seduzir-vos a alma.

Vosso coração, compenetrado de fé religiosa e ávido de dedicação, gosta de um porvir cheio de orações, de sacrifícios, de devotamento completo. Às vezes imaginais estar no altar, no esplendor das cerimônias sagradas; outras vezes parece-vos que sois um missionário intrépido, no meio de índios que ganhais a Jesus Cristo; mais a moído julgais ser um professor, cercado de numerosa e alegre meninada, arquem ensinais a ciência e a virtude. Todos estes pensamentos se agitam no mais íntimo de vossa alma; são apenas conhecidos de Deus e de vós. Ninguém, com efeito, tentou penetrar no santuário de vossa alma a fim de surpreender-vos os secretos desejos: vós mesmo quase que não os entendeis claramente; teríeis muita dificuldade para exprimi-los; talvez tivésseis medo de revelar a outros aspirações tão elevadas, que provavelmente, segundo vos parece, seriam tratadas de visões quiméricas.

Apesar disso, tudo vos excita a tomar uma resolução: a idade não vos permite mais esperar; vossos pais estão com pressa de arranjar-vos uma colocação. É preciso falar, e não ousais falar e não sabeis como falar. Daí se origina a angústia de coração que experimentais em certas horas.

Nestas dúvidas interiores, misturadas de esperança e de receio, quantas vezes dirigistes um olhar suplicante a Deus para que vos enviasse um mensageiro celeste! Mas o céu não manda anjos visíveis a todos os homens. Os anjos de Deus são as inspirações que nos alumiam o interior da alma e os conselhos que nos prodigalizam as pessoas de fora.

Talvez estas páginas sejam para vós o órgão do celestial mensageiro. O que sua leitura poderá dizer-vos, a graça vo-lo repetirá no íntimo da alma. Por meio desta brochura, sabereis o que é a vocação, que meios deve tomar cada um para conhecer a vocação, como o eleito de Deus deve corresponder á vocação.

Então vereis mais às claras os desígnios de Deus sobre vós, tereis mais ousadia e mais jeito para manifestar vossos desejos e sereis mais corajoso para abraçar os deveres que vos impuser a vontade de Deus.

continuará...
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