segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESPECIAL: A simplicidade segundo o Evangelho, instruções às senhoras e às jovens

Nota: Hoje inicio a transcrição deste livro, assim que terminá-lo, o mesmo será disponibilizado em PDF na internet. Enquanto isso, esse post ficará na parte de ESPECIAIS EM ANDAMENTO do blogue e receberá atualizações.

Nota 2 (nota adicionada na data de 14/06/2011: Livro disponibilizado em PDF: Baixar AQUI.

A SIMPLICIDADE
SEGUNDO O EVANGELHO


Instruções às senhoras e às jovens

Por Monsenhor Gibergues
Traduzido do original francês
La simplicité d’après l’évagile
 por
Rachel de Castro e Aida do Val

Atlântica Editora
Rio de Janeiro
Ano de 1945

ÍNDICE


_________________________________

INTRODUÇÃO

Escrito por um dos mais abalizados mestres da espiritualidade, na França – Monsenhor de Gibergues, bispo de Valença- este livro contém uma série de “Instruções às senhoras e às moças” sobre os meios de adquirir e praticar a simplicidade.

Como frisa o Autor na sua dedicatória, a simplicidade é o caminho que devem trilhar todas as pessoas “de boa vontade: moças, esposas, mães, viúvas ou religiosas, que procuram um meio evangélico de ir a Deus segura e prontamente”. Nessa classificação geral incluem-se “todas as almas que necessitam de asas para pairar acima das tristezas desta terra de exílio e das provações deste vale de lágrimas”; mas também “as almas generosas e amorosas que aspiram elevar-se, que têm sede de união com Deus”.

Termina-se o livro com a apresentação dos maiores modelos de simplicidade conhecidos em todos os tempos: Jesus, Maria e São Francisco de Assis.
***

DEDICATÓRIA

À minha sobrinha Maria..., que, aos 18 de julho de 1906, ingressou no Convento do Sagrado Coração.
Então, Maria, tu nos deixaste!...

Eras a alegria e o orgulho de teus pais, a primogênita, o exemplo de teus irmãos e irmãs, a felicidade de todos!

Eras feliz em nosso meio, e amava-nos tão carinhosamente! Afirmo-o. No supremo momento da partida, quando pai e mãe, irmãos e irmãs, ajoelhados à tua volta, agarrados a teus vestidos, expandiam em pungentes adeuses os corações transbordantes, tinhas os olhos cheios de lágrimas ardentes, o peito sacudindo de soluços!...

E te desprendestes de tão ternos laços, te arrancaste aos nossos, oh! Não sem um esforço sobre-humano, mas com a coragem e a serenidade que te vinham do alto. Partiste!...

Não o podemos acreditar ainda. Nossos olhos te procuram e não mais te vêem: nossas vozes te chamam e não mais respondes. Meu Deus! Que vazio profundo e doloroso!

Quem te roubou aos encantos do lar? Que força foi essa que te arrebatou, mais poderosa que todos os liames da carne e do sangue, que todas as atrações da natureza?

A força do amor! A força que atrai a noiva, que a separa do pai e da mãe para uni-la ao esposo. Mas, que amor o teu! O amor do Infinito, do Eterno: o amor dAquele que é todo Amor.

Já de há muito, o amor divino te ferira o coração. Ouviras a voz do Bem-Amado, a voz de Jesus: “Vem, esposa Minha, amiga Minha, pomba Minha! Vem ao Meu Sagrado Coração”. (Nota de rodapé: Cântico 11,14. – Literalmente: “Vem nas aberturas da pedra, na concavidade do muro”; é assim que a Escritura designa as chagas do Salvador e Seu Sagrado Coração. – São Bernardo chama o Sagrado Coração de “ninho de pombas”).

E cada dia esta voz se tornava mais persuasiva, mais instante. Teu coração, abrasado de amor, suspirava pela hora das bodas com o Cordeiro. Tuas asas de pomba palpitavam; bem que sentíamos. Afinal, ao supremo apelo do celeste Esposo, abris-te-as e, sacudindo a poeira do mundo, alçaste o vôo e te dirigiste para onde Jesus te chamava!

Agora tudo acabou não mais estás aqui. Na realidade, tua lembrança é imperecível, teus exemplos continuam vivos e é sempre suave o perfume de tuas virtudes. Tu, porém amada pomba, não mais estás no lar paterno. Não mais te podemos ver o rosto nem te ouvir a voz.

E temos os olhos rasos de lágrimas, os corações transbordantes de tristeza. Não nos revoltamos, não te queremos disputar a Deus: adoramos Sua Sabedoria e Sua Vontade; reconhecemos a graça e a honra que Ele nos fez ao te chamar. Mas, seja-nos ao menos permitido sofrer e derramar lágrimas: pelo que não nos podes condenar, tu, a esposa de Jesus, o qual chorou pelos amigos.

Ó Jesus, esposo de nossa Maria, que a conquistastes e a atraístes com os Vossos encantos, nós vo-la entregamos de bom grado. Nós a oferecemos a Deus, por Vós e conVosco, como a divina Mãe Vos ofereceu ao Pai pela Redenção do mundo. Que nosso sacrifício, unido ao Vosso, recaia em bênçãos sobre nossa família e nossa pátria!

E tu, querida Mariazinha, foste entre nós um modelo de simplicidade. E sê-lo-ás mais do que nunca no seio de tuas novas irmãs. Os três votos que em breve farás, e que já estão decididos em teu coração: votos de pobreza, castidade e obediência, não serão porventura as formas sublimes da perfeita simplicidade de uma alma forte e generosa que a tudo renuncia por Deus; tudo, isto é: os bons da terra, os prazeres e a si mesma?

Melhor do que ninguém, sabes que nem a simplicidade nem os votos religiosos excluem as legítimas afeições.

Doravante, separada de nós pela tua vida toda dedicada a Deus, não nos quererá menos. Amar-nos-ás mais e melhor; e, pelas tuas preces e penitências, nos obterás graças privilegiadas que nos consolarão de tua ausência. Não esquecerás a França, nossa muito amada pátria, que geme sob o jugo da impiedade e que tenebrosa conjuração gostaria de aniquilar; com teus rogos, apressarás a hora da libertação. O melhor consolo de teus pais e a sólida recompensa do amor e dedicação que têm por ti será a glória que darás a Deus, todo o bem que vais fazer, o trabalho que terás na formação moral das jovens, para torná-las verdadeiras cristãs, mulheres exemplares, perfeitas esposas, mães completas.

Vai Maria, vai, pomba de Deus; abre bem largas as tuas asas e eleva-te ao mais alto dos céus, sem nunca perder de vista aqueles que te amam tão carinhosamente neste mundo.

A ti dedico este livrinho: todo perfumado de tua lembrança. Possa ele fazer aos que o lerem o bem que nos fizeste, quando vivias ao nosso lado!

Dedico-o às almas que precisam de asas para pairar acima das tristezas desta terra de exílio e das provocações deste vale de lágrimas.

Dedico-o às almas ávidas de perfeição, às almas generosas e amantes que aspiram a se elevar, que têm sede de união com Deus.

Dedico às almas que se arrastaram até agora na vulgaridade e na inutilidade de uma vida morna e egoísta, mas que sofrem nessa situação e que se sufocam nas baixas regiões, onde lhes falta ar e luz.

Dedico-o às almas desalentas, porque exageram as dificuldades da virtude e se amedrontam ante a enormidade da tarefa.

Dedico-o a todas as almas de boa vontade: moças, esposas, mães, viúvas ou religiosas, que buscam a forma evangélica de ir a Deus com segurança e presteza.

A simplicidade é o caminho – não direi fácil, seria contradizer o Evangelho, segundo o qual o caminho que conduz à vida é áspero e estreito – mas o caminho possível a todos e que está ao alcance de cada um, o caminho de que Jesus falava, ao dizer: “Meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

A simplicidade é o caminho do perfeito amor, que “suprime a pena ou a transforma em alegria”; que “se fatiga, mas jamais se cansa”. É a maneira mais prática de muito e sempre amar.

Segue, pois, pequeno livro, segue com a bênção dAquela que te inspirou, segue! E penetra do espírito de Deus todos os que lerem as tuas páginas.

Jesus, quando enviava Seus discípulos para converter o mundo corrompido, dizia-lhes: "Sede simples como as pombas!”

Que a simplicidade viva e se irradie no coração das cristãs! Que as almas simples se multipliquem; para edificação de muitos e para a glória de Deus!
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