sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A preguiça


A menos que revele qualquer deficiência física, a preguiça é também uma manifestação da sensualidade. Consiste numa recusa diante do esforço, tanto corporal como espiritual. A luta contra essa tendência deve começar desde o aparecimento das primeiras atividades da criança. Para impedi-la de deslizar para a indolência, ela habitua-se-á à exatidão e não consentir-lhes-á que qualquer tarefa começada seja abandonada antes do fim. A exatidão combate a displicência e obriga a vontade a constantes e múltiplos sacrifícios. A perseverança na atividade obtém resultados semelhantes.

O hábito da aplicação do trabalho é um dos melhores remédios contra a ociosidade. Há quase tantas formas de preguiça como caracteres e temperamentos. Para alguns, ela é física e confunde-se com a vida ociosa ou moleza, sob todas as suas manifestações.Para outros, intelectual; é a recusa de prestar atenção e de refletir, a aceitação de julgamentos há prontos.

Enfim, para alguns, ela pode ser qualificada de moral. Confunde-se com a displicência do caráter, a recusa de luta contra as tentações e as más tendências, a aceitação passiva das influências perniciosas, para evitar o esforço de ter de tomar posição e reagir contra o meio.

Há crianças cuja preguiça é difícil de descobrir-se. São as que de bom grado, qualificaremos de preguiçosos ativos. Perpétuamente em movimento, elas causam a ilusão de uma atividade transboardante. Na realidade, limitam-se a seguir os impulsos de sua natureza e são incapazes de lutar contra a mesma.

(Pequeno Tratado de pedagogia - Cônego Jean Viollet)

PS: grifos meus
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